Wednesday, December 28, 2005

BALANÇO 2005 DO TEATRO INFANTIL CARIOCA

Publicado no Jornal do Brasil dia 28.12.2005


carlos augusto nazareth




O ano de 2005 foi difícil para o teatro infantil. As causas são muitas.
A escassez de patrocínio, que propicia o ressurgimento de produções de fundo de quintal e que acabam tomando a pauta dos teatros.
Os mediadores, pais e professores, que quase não têm indicadores sobre a qualidade dos espetáculos em cartaz, pelo restrito espaço na mídia.
As discussões sobre a qualidade em teatro para crianças que ficam limitadas à classe artística, sem possibilidade de se democratizar esta troca e envolver pais e professores.
Há também um certo descaso e uma visão às vezes distorcida do que seja um teatro de qualidade para crianças, por parte dos próprios pais e professores, que também têm dificuldades de obter informações concretas a respeito desta atividade.
Este quadro vem se arrastando há alguns anos. Corremos, assim, o risco de perder grande parte de nosso público futuro. O processo de formação de platéia fica totalmente prejudicado.
Nesta era cybernética, o teatro é um dos focos de resistência para que sejam desenvolvidas as qualidades do humano, do sensível, do artístico. E já nem cabe mais, hoje, qualquer discussão a respeito do consenso de a arte ser fundamental para a formação integral do ser humano e sabemos que, desde os gregos, já se considerava a infância um período fantástico para o aprendizado. É comum se dizer que o que se aprende, quando criança, fica de modo indelével na memória. E aprendizado aí é tomado no sentido amplo de “experenciação” de qualquer tipo de manifestação “da mente ou do espírito”, do racional ou do sensível.
Ficar lamentando a falta de público, a má qualidade dos espetáculos e outras mazelas não resolvem o problema. A questão é – o que fazer para que esta atividade se desenvolva e se torne um hábito, contribuindo, enquanto Arte, para a formação da criança?
Os espaços de discussão precisam se multiplicar, seja na mídia, ou no meio acadêmico, nos cursos de formação, pós-graduação, mestrado, doutorado. E esta é uma questão não só do teatro, mas da literatura infantil também. Há um único mestrado em literatura infantil no Brasil, que acontece no estado de Santa Catarina. Nos nossos cursos de graduação e mestrado em teatro, o teatro infantil é praticamente ignorado.
Ações que dependem de vontade política precisam ser desenvolvidas continuamente para que a médio prazo se consiga algum resultado, já que sabemos que, em educação e cultura, os resultados só começam a surgir a longo prazo.
Ações práticas como mais espaço na mídia, não só para crítica ou para divulgação, mas para que seja possível discutir estas questões, através de artigos, entrevistas. Realização de debates, workshops que envolvam profissionais da área e mediadores – pais e professores.
Patrocínios voltados para este segmento da produção teatral, prêmios que diferenciem os profissionais e os trabalhos de mais qualidade auxiliando o público a começar a identificar qual o espetáculo mais indicado para levar a criança.
Algumas ações importantes aconteceram em 2005. Continua se expandindo o projeto SESC CBTIJ, que leva teatro aos locais mais distantes do centro nervoso do Rio, o Centro de Referência do Teatro Infantil promoveu seu III Encontro de Linguagens, apresentando inúmeros espetáculos e promovendo mesas de debates, a FUNARTE manteve o Prêmio Nacional de Dramaturgia. Nosso teatro para crianças, através da companhia de Ana Barroso e Mônica Biel, com seus já conhecidos clowns Lasanha e Ravióli, esteve no Canadá, representando com total sucesso o Brasil, num encontro internacional, tendo obtido excelentes críticas dos jornais europeus. Outros grupos têm viajado para Cabo Verde e outros países.
É importante lembrar que toda esta discussão gira em torno do teatro realizado na zona nobre da cidade. É fundamental, no processo de formação de platéia, a interiorização da atividade teatral, a inter-relação Arte-Escola, sem ranços didáticos ou pedagógicos, o possibilitar a ida ao teatro de pais e professores.
A faixa etária do público infantil que freqüenta o teatro, hoje, vai dos poucos meses de idade até quatro ou cinco anos. Onde está o público infantil de seis a nove anos? Há uma defasagem entre a procura de espetáculos teatrais infantis para um público de menor idade e uma oferta de espetáculos para um público infantil de faixa etária superior, que não está mais indo ao teatro.
Donde entendemos, também, que há a necessidade de se pesquisar, avaliar e diagnosticar o que acontece para que possamos ajustar o teatro infantil ao seu público, seja mais novo ou mais velho. Há muito a fazer pelo teatro para crianças e no teatro para crianças e, hoje, se temos alguns poucos bons espetáculos são daqueles que acreditam na arte, na criança e brigam com poucas armas contra as inúmeras adversidades, mas conseguem realizar um trabalho que dignifica o teatro infantil e que, por isso, precisam ser destacados.
A nomeação destes espetáculos pode vir a ser um balizador para pais e professores, responsáveis pela ida de seus filhos e alunos ao teatro.
E destes espetáculos que estiveram em cartaz em 2005, ressaltamos dez deles como os melhores da temporada.

DESTAQUES JB 2005

“Os diferentes”, do grupo Hombu;
“Infância”, de Karen Acioly;
“As aventuras de Robson Crusoe” , direção de João Batista;
“ A aranha arranha a jarra, a jarra arranha o trava-língua” de
Demétrio Nicolau;
“ Estação Drummond”, da Cia. De Teatro Medieval
“ Mamãe como eu nasci”, de Antônio Carlos Bernardes;
“Uma história para Calibã”, direção de Beto Brown
“Um conto para Rosa”, direção de Nara Keiserman
“Quixote”, de Cláudio Sássil
"As novas molecagens do vovô" , de Márcio Trigo

Queremos ainda destacar os trabalhos:

Atriz Josie Antello em “Estação Drummond”, onde faz o poeta menino;
Ator Eduardo Rieche, no difícil trabalho solo como Robson Crusoe.
Demetrio Nicolau e Karen Acioly com direções que se destacaram na temporada que ora termina e esperamos em 2006 ações efetivas, para que se reverta este quadro.

Friday, December 23, 2005


O Centro de estudos e pesquisa do teatro para crianças tem como objetivos principal a reflexão, o estudo, o debate, a pesquisa e a difusão de suporte teórico do teatro para crianças sob a perspectiva da obra de arte.
Promover a socialização deste debate, envolvendo mediadores e a classe artística e todos os segmentos envolvidos desde a criação até a difusão do espetáculo teatral para crianças
LINHAS DE PESQUISA
A evolução e a história da criança na sociedade, o desenvolvimento da criança no seu processo de formação, a importância da Arte na formação integral do indivíduo, a criança hoje – o permanente e o dinâmico, o imaginário infantil.
A criança e sua relação com os meios de expressão artística e a midia; adequação – a relação da obra de arte e seu público.
Análise da produção teatral para crianças – o que vai pelo teatro, quem vai ao teatro e por que vai ao teatro.
Como são escolhidos e selecionados os espetáculos a serem assistidos e os espetáculos a serem indicados pelos mediadores.
O TEATRO E A ESCOLA
A didatização da obra de arte, a obra de arte como instrumento didático – informações, conceitos e valores.
O teatro na escola como forma de desenvolvimento pessoal, onde o processo é o centro do trabalho
O teatro na escola como atividade extra-curricular
O teatro na interface com outras matérias.
O texto dramático na escola – teatro: literatura dramática;
DIFUSÃO
Divulgação dos textos teóricos através da internet, através de revista impressa, através de livros;
Divulgação de textos teatrais infantis através da internet e da publicação de livros
Leituras dramatizadas de textos teatrais infantis, cursos de dramaturgia, palestras, oficinas, workshops, seminários e pequenos congressos
Projetos que facilitem a ida da criança ao teatro tornando-a uma atividade sistemática e constante;
Campanhas de popularização do teatro para os mediadores;
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
A melhoria da qualidade dos espetáculos voltadas para a criança, a promoção do debate sobre o que é qualidade em Arte, a ampliação desse%2





O Centro de estudos e pesquisa do teatro para crianças tem como objetivos principal a reflexão, o estudo, o debate, a pesquisa e a difusão de suporte teórico do teatro para crianças sob a perspectiva da obra de arte.
Promover a socialização deste debate, envolvendo mediadores e a classe artística e todos os segmentos envolvidos desde a criação até a difusão do espetáculo teatral para crianças
LINHAS DE PESQUISA
A evolução e a história da criança na sociedade, o desenvolvimento da criança no seu processo de formação, a importância da Arte na formação integral do indivíduo, a criança hoje – o permanente e o dinâmico, o imaginário infantil.
A criança e sua relação com os meios de expressão artística e a midia; adequação – a relação da obra de arte e seu público.
Análise da produção teatral para crianças – o que vai pelo teatro, quem vai ao teatro e por que vai ao teatro.
Como são escolhidos e selecionados os espetáculos a serem assistidos e os espetáculos a serem indicados pelos mediadores.
O TEATRO E A ESCOLA
A didatização da obra de arte, a obra de arte como instrumento didático – informações, conceitos e valores.
O teatro na escola como forma de desenvolvimento pessoal, onde o processo é o centro do trabalho
O teatro na escola como atividade extra-curricular
O teatro na interface com outras matérias.
O texto dramático na escola – teatro: literatura dramática;
DIFUSÃO
Divulgação dos textos teóricos através da internet, através de revista impressa, através de livros;
Divulgação de textos teatrais infantis através da internet e da publicação de livros
Leituras dramatizadas de textos teatrais infantis, cursos de dramaturgia, palestras, oficinas, workshops, seminários e pequenos congressos
Projetos que facilitem a ida da criança ao teatro tornando-a uma atividade sistemática e constante;
Campanhas de popularização do teatro para os mediadores;
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
A melhoria da qualidade dos espetáculos voltadas para a criança, a promoção do debate sobre o que é qualidade em Arte, a ampliação desse debate para além da classe artística, atingindo principalmente os mediadores pais e professores.
Ampliação desta discussão pela imprensa falada, televisiva e impressa a fim de que envolva também o grande público.
Introdução da literatura dramática nos cursos de formação de professores, nos cursos de literatura, nos cursos de formação de ator, nos cursos de pós-graudção, mestrado e doutorado.
AÇÕES
A Sociedade funcionará a partir de Projetos.
As ações sempre que possível serão realizadas em parceria com os órgãos da iniciativa privada e pública, buscando-se recursos nestas duas instâncias
O Centro tem sua sede no município do Rio de Janeiro, com ação prioritária na cidade do Rio de Janeiro, tendo o estado do Rio de Janeiro como campo de ampliação de suas atividades, podendo estabelecer pontes com outros municípios do estado do Rio de Janeiro e outros Estados da União.
FUNDADORES E GERENCIADORES DO CENTRO
Carlos Augusto Nazareth
Maria Helena Kuhner
Rômulo Rodrigues